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11/3/2010
Pressão não garante obra na 381
Após o anúncio do cancelamento do processo de concessão à iniciativa privada dos cerca de 300 km da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, parlamentares mineiros cobram agora uma solução urgente do governo federal para a retomada do projeto da duplicação da rodovia. A preocupação da bancada mineira é a protelação da obra sem a garantia de sua execução no próximo governo.
O leilão de privatização dos trechos e a consequente duplicação por parte de empresas privadas foram suspensos porque o Ministério dos Transportes considerou muito elevada a proposta para a cobrança dos pedágios. Depois da medida, a obra, orçada em cerca de R$ 2 bilhões, saiu da gerência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para ser incluída na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que ainda não foi anunciado oficialmente. Com a mudança, o custeamento total da obra viria através de recursos federais e a coordenação do investimento ficaria sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
A principal dúvida é que ainda não há previsão no orçamento de liberação das verbas para a duplicação e nem mesmo o projeto executivo da obra do Dnit foi concluído. "A grande questão agora não é nem se a duplicação será feita pela iniciativa privada ou pelo governo. A grande questão é que a obra precisa ser feita. E com urgência. Não é possível que a União continue nessa indecisão", criticou o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Ele lembrou que em abril do ano passado senadores mineiros se reuniram com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e ouviram dele a garantia que as obras começariam ainda em 2009. "É lamentável, porque essa rodovia é uma das mais perigosas do país, e o governo fica titubeando para fazer a duplicação. O governo não faz e não deixa os outros fazerem", protestou Azeredo no plenário do Senado.
Reunião - Ex-diretor geral do Dnit, o deputado federal Alexandre Silveira (PPS-MG) se reuniu anteontem com o ministro Alfredo Nascimento para se informar sobre a nova proposta para a rodovia. Conforme Silveira, houve um equívoco do governo federal em adotar inicialmente o modelo de concessão à iniciativa privada proposto pela ANTT. "Foi um erro insistir no projeto da ANTT. Perdeu-se muito tempo", disse o parlamentar, responsável pelo primeiro projeto no governo Lula para duplicação da BR.
Projeto do Dnit é melhor, diz deputado - Apesar da falta de um cronograma e da garantia de verbas para a realização da duplicação da BR–381, para o ex-diretor geral do Dnit, o deputado federal Alexandre Silveira (PPS-MG), o cancelamento do projeto da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de privatização da rodovia é benéfico porque a obra previa uma reforma apenas parcial da rodovia.
De acordo com Silveira, a proposta do Dnit, agora retomada pelo governo federal, contempla a duplicação da via e também a construção de um novo trecho de 50 km em linha reta entre Itabira e Nova Era. “O problema da 381 não é só a questão da duplicação. Ela se torna perigosa por causa de seu traçado sinuoso, com curvas perigosas”, alegou o deputado.
No projeto da ANTT, de acordo com o deputado, a eliminação das curvas havia sido retirada para não encarecer a obra. A inclusão da BR–381 no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) e a previsão de investimento devem ser anunciando ainda este mês, durante o lançamento do PAC 2.
Em um cenário otimista, na opinião do deputado federal, as obras de duplicação estariam prontas para começar apenas no início de 2011.
Fonte: O Tempo - MG
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