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3/3/2010
Viaduto de acesso a Santa Luzia está comprometido por afundamento
Depois de quatro anos de construção – trabalho interrompido por pelo menos cinco vezes –, problemas na licitação e muitos quilômetros de engarrafamentos, o viaduto da trincheira de acesso a Santa Luzia, na BR-381, Região Metropolitana de Belo Horizonte, inaugurado a menos de um ano, está comprometido por afundamentos de até 40 centímetros em três pontos, o que pode abalar toda a estrutura. O Exército, responsável pela obra que custou R$ 7,8 milhões, contratou uma empreiteira para consertar as falhas.
O afundamento traz de volta velhos transtornos, entre eles as retenções de tráfego no trecho da 381, na saída para Vitória, pelo qual trafegam 30 mil veículos por dia. Duas faixas, uma em cada sentido, foram interditadas sobre o viaduto. Cones, tambores e faixas sinalizam a restrição ao trânsito. Quando caminhões cruzam a parte superior do viaduto, a estrutura balança perigosamente. O argumento da construtora para justificar o fracasso da obra é o excesso de chuva e o peso das carretas.
Desde meados de janeiro, operários trabalham na reconstrução da trincheira. Em vez de pôr soldados para executar o serviço, o Exército assinou contrato com a Construtora Cassimiro Martins. O primeiro passo é a retirada de terra das duas laterais do viaduto para instalação de barreiras de pedras envoltas em telas, o que dará sustentação e evitará deslizamento. Em seguida, será feito o recapeamento do asfalto, o que deve resultar na repetição dos congestionamentos. Por último, serão substituídas as muretas de proteção. “É um problema preocupante”, confirmou o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Minas, Sebastião Donizete.
Às margens da rodovia, moradores temem deslizamento da encosta ao lado da trincheira, por enquanto sustentada por sacos de cimento, mas a construtora deve usar proteção semelhante à do viaduto, com barreiras de pedra e telas.
Em 7 de outubro de 2005, o Dnit e o 11º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército, de Araguari, no Triângulo, assinaram ordem de serviço para a construção da trincheira. Mas o trabalho, previsto para ser entregue em um ano, durou quatro vezes mais. A verba de R$ 7,8 milhões foi repassada pelo Ministério dos Transportes, via Dnit, ao Exército. A intervenção é tida como a primeira de todo o projeto de duplicação dos 312 quilômetros da chamada rodovia da morte.
Falhas - Além da trincheira em Santa Luzia, o Exército faz obras de infraestrutura em rodovias federais de vários estados. A proposta era evitar a morosidade na contratação de terceiros. E sofre críticas. Por repetidas vezes, deputados e engenheiros visitaram o canteiro de obras. Segundo presidente da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa, deputado Gustavo Valadares (DEM), desde o início houve problemas, como falta de planejamento e ausência de projeto. “Obras rodoviárias têm de ser executadas por empresas especializadas. É preciso licitar e contratar quem está apto. Caso fosse uma empresa privada, a obra poderia ser questionada judicialmente. Agora, a verba usada pelo Exército vai para o ralo”, afirma. O Estado de Minas entrou em contato com o 11º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército, mas não houve retorno.
Fonte: Estado de Minas
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